domingo, dezembro 21, 2008


Questão de Honra

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Publicado em 30/10/2008

Estudando Direito Penal descobri uma importante consideração a respeito da honra: " a importância da honra está vinculada à estima que gozam as pessoas dignas e probas no seio da comunidade onde vivem. E quem é estimado e respeitado em sua figura e por seus atos encontra paz interior, tornando-se mais feliz e equilibrado para comportar-se de acordo com os mandamentos jurídicos".

O que isso quer dizer? Somos o que os outros pensam que somos? Só podemos ser inteiramente felizes se nos enquadrarmos inteiramente ao molde do que a sociedade considera como ideal? E aquelas pessoas que sao diferentes? São desonradas? Nunca serão inteiramente felizes e equilibradas so porque nao seguem as regras que determinada sociedade ditou como sendo corretas? E se essas regras não forem corretas? Um homem honrado (no caso, honra subjetiva, aquilo que ele pensa de si mesmo), que so pratica coisas boas e corretas, será considerado desonrado porque a sociedade não considera corretas as coisas que ele faz? Onde isso nos leva???

Já ouvi dizer que se, por exemplo, você tem um peso ideal e está se sentindo muito bem com seu corpo e peso naquele instante, se você sair a rua e começarem a falar que está gorda, você voltará pra casa tendo certeza disso. Mesmo se, interiormente estava se achando no peso ideal, só pelos outros a acharem gorda, você também se achará. Não é incrível? E é a pura verdade. Infelizmente, somos o que os outros acham que somos. A sociedade determina se uma pessoa é feia, se é gorda, se é linda, se é inteligente, honrada ou desonrada.

A questão é por que demos tanto poder de decisão à sociedade? Por que não somos aquilo que cremos ser? Por que acreditamos tanto no que os outros dizem a nosso respeito? Por que não acreditamos no nosso interior, no que nos diz o nosso coração, ou, mais prático, o espelho? Por que não somos nós que nos definimos? Eu sou ISSO, nao importa se fulano pensa o contrário. Por que não gritamos para todo o mundo o que queremos ser e mandamos a sociedade pro inferno???

Por que? Por que?

2 comments:

Maiara disse...

Ei Gretinha, vim atualizar meu blog e vi seu novo post. Bem interessante sua intriga.

Tenho muitas idéias a respeito do tema e uma delas é que querendo ou NÃO, somos construídos pelo que nos antecede e pelo que viveremos. Por exemplo, pela filogênese (aspectos inerentes à nossa espécie), ontogênese (características individuais) e pela cultura (o que aprendemos com a nossa sociedade).

Essa questão da moral, assim como a da ética, perpassa pela instância da cultura. Cada um de nós nasce em uma cultura (e essa cultura, ou Estado é regido por leis), Leis em um sentido bem amplo (enquanto regras que balizam nosso comportamento, determinando-o enquanto adequado ou inadequado).

Por exemplo, eu e você nascemos em uma cultura mais ampla que é a cultura de nosso país e, mais especificamente, do nosso Maranhão. Mas mesmo assim, já somos bem diferentes, pois seus princípios familiares divergem dos princípios e regras que conduzem minha história familiar. Dessa forma, o que pode ser honroso para você e para sua família pode não ter o mesmo caráter para mim. E isso, de certa forma, completa sua inquietação quanto a “Somos o que os outros pensam que somos?”. Em minha opinião, somos sim. E não vejo isso exatamente enquanto um fato ruim ou inadequado. Quando ainda estamos na barriga da nossa mãe, ela já fala de nós. Já nos nomeia enquanto ser. Nos chama pelo nome (Greta), qualidades, e assim vamos sendo constituidos enquanto sujeitos e nos esforçando ao máximo para alcançar o lugar que nos foi colocado (por exemplo, de filha obediente, estudiosa, exemplar), não é verdade? Somos constituídos pela fala do outro! Aprendemos até a falar imitando o OUTRO!!!

Maiara disse...

Continuando…

E posteriormente, com nosso contato com a cultura à qual pertencemos (que inclui nossas regras particulares - todos nós formulamos regras particulares, as auto-regras) vamos sendo constituído enquanto sujeitos cidadãos. Cidadãos que devem seguir as regras que norteiam nossa sociedade, pois caso contrário, seremos considerados inadequados. E aí chegamos no ponto da moral e ética que variam de sociedade para sociedade e essa especificidade deve ser levada em consideração.

Quanto a “Por que não somos nós que nos definimos?” Creio que somos nós sim! Apesar de termos um lugar nessa sociedade (família, universidade, igreja) onde deveremos ocupá-lo seguindo algumas ‘exigências’ somos nós que definimos a forma como iremos fazer isso. Já dizia Skinner, que sermos livres diz respeito a conhecer nossas possibilidades para poder atuar sobre elas. Se o termo é ATUAR, então somos ATORES e não meros espectadores.

Porém, é inevitável a influência e controle que o comportamento das outras pessoas exercem sobre nós.

Finalizando, pra não ser muito extensa (e já sendo), concordo com você quando dizes que realmente é muito DIFÍCIL ser modelado pelo que a sociedade acredita como adequado ou inadequado (substituindo o certo ou errado). Mas é válido lembrar que, NÓS fazemos a sociedade. Nós construímos as leis e regras que regem os comportamentos. Seja aqui ou ali seremos julgadores e, portanto, julgados. Não dá pra mandar todo mundo pro inferno, senão, nós próprios iremos junto.

Inquietante, não? DEMAIS

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